domingo, 1 de maio de 2011

DANÇAS CIRCULARES




O novo paradigma pode ser chamado de uma visão de mundo holística, que concebe o mundo como um todo integrado, e não como uma coleção de partes dissociadas. Pode ser também denominado de visão ecológica, se o termo “ecológica” for empregado num sentido muito mais amplo e mais profundo que o usual. A percepção ecológica profunda reconhece a interdependência fundamental de todos os fenômenos, e o fato, de que enquanto indivíduos e sociedades, estamos todos encaixados nos processos cíclicos da natureza (e, em última análise, somos dependentes desses processos). (Capra, p. 25, 1996)

As Danças Circulares permeiam a história da humanidade desde o inicio. As pessoas dançavam em roda para agradecer colheitas, celebrar estações, brincar, comemorar, rezar, meditar, confraternizar, enfim, para sintonizar a força da união que o grupo tem quando dança em roda.
Por isso as danças circulares abrangem todos os povos e épocas, nas mais diferentes culturas, vão das mais sagradas e tradicionais, como também estão sendo compostas agora, por coreógrafos que consideram os benefícios que o movimento dançado em roda é capaz de proporcionar ao ser humano na coletividade, seja: grupo, tribo, aldeia, comunidade, sociedade, turma, clã...
Os benefícios de dançar em roda são muitos, declaro alguns, como: a liberdade de dançar sem o compromisso de erro e acerto, saber ou não, ter talento ou não, ter esse ou aquele corpo. Simplesmente dançar por que é uma delicia e todo corpo tem sua dança. A possibilidade de unir as diferenças e singularidades, pois todos são importantes para a roda girar. A invocação do sentimento de comunhão. O acolhimento de ter uma mão segurando a sua, que por sua vez segura outra mão dançando os mesmos passos simples.
A coletividade faz a roda girar inscrevendo mandalas no espaço... E as mandalas, segundo Jung, possuem a capacidade de agregar as diferentes partes ao todo.
O estudioso das danças circulares foi o bailarino e pedagogo da dança Bernhard Wosien (1908-1986) que em suas pesquisas coletou danças étnicas. Seus primeiros experimentos dessa arte foram em Findhorn – Escócia (1960). Onde atualmente estão respeitáveis representantes das danças Circulares. Também faz parte deste movimento a sua parceira na dança clássica Friedel Kloke, que contribui com coreografias atuais de lindas mandalas coletivas. A filha de Bernhar Woisen se chama Maria-Gabriele Wosien é pesquisadora dos mitos e religiões e com seu entusiasmo e conhecimento mantem viva a tradição das danças circulares. As filhas de Friedel Kloke: Nanni Kloke e Saskia Kloke, também compartilham dessa vocação, assim como compõe danças circulares sagradas contemporâneas.
Atualmente o mundo como grande aldeia global, conta com muitos grupos que se unem para dançar em roda em salas, salões, praças, praias, jardins. A proposta deste curso livre é dançar na Escola Angel Vianna em aulas semanais de 90 min. danças circulares étnicas tradicionais de diferentes culturas, assim como atuais. Lembrando que não há pré-requisito para participar, basta querer dançar, pois girando na roda, todas as pessoas podem dançar as “circulares”, por sua simplicidade e comunicação direta com o coração. Todas as pessoas que quiserem podem dispor da alegria de estar dançando coletivamente.
Cabe lembrar, que uma grande parte dos males cotidianos que assolam a humanidade advém da desconexão do ser humano com os ciclos da natureza. O homem esqueceu que é parte integrante da natureza. Portanto, relembrar o corpo-natureza faz parte deste trabalho. O ser humano que se sente e que se escuta, percebe o seu bem-estar e onde reside o seu mal-estar e esta é uma considerável forma de PREVENÇÃO.
Cientificamente a dança mobiliza o sistema nervoso e neste, a conexão das sinapses, da ativação dos neurotransmissores capazes de liberar substâncias químicas como a serotonina, a dopamina e a acetil-colina.
Exemplificando fisiologicamente: sabemos que a felicidade, o bem-estar e as funções psíquicas superiores (pensamento, raciocínio e memória) estão intimamente relacionadas a ativação dos neurotransmissores acima citados. Sabemos que a inativação dos mesmos reverbera em doenças que assolam o mundo atual, como stress, depressão, TOC, Parkinson e Alzheimer, dentre outras.
A dança se apropria do instrumento corpo no tempo e espaço. E proporciona a integração da funcionalidade, da sensibilidade, da emoção, do pensamento, da natureza no corpo humano por meio dos movimentos dançados.

Vanessa Matos, a focalizadora do Curso, é bacharel em Teatro pela UNESA, licenciada em Dança pela FAV e bacharelanda em Fisioterapia pelo IBMR. Fez sua formação em Danças Circulares com o Grupo Giraflor, no Paraná. É Terapeuta Floral, com seu trabalho em Meditação Floral. Pós-graduanda na Metodologia Angel Vianna, trabalha com aulas de dança, inclusive para pessoas especiais.