Na dança cotidiana da corporificação os ciclos da vida se entrelaçam. Tudo é composto, impermanente e destinado a passar. Nesta jornada há a linha condutora que inspira o primeiro sopro e expira o último. Esta linha pulsa, permeada de movimento interno e externo, às múltiplas nuances da luz que inspira o caminho da sabedoria para o viajante! E é em prol da materialização da sapiente luz desta linha condutora, que aqui abro espaço, para expor o significativo diferencial da Faculdade Angel Vianna!
Quero falar sem comparações, mas considerando a importância da constatação desta instituição de ensino no contexto educacional instituído. A Faculdade Angel Vianna conseguiu estabelecer por meio de sua proposta curricular uma articulação continua entre a teoria e a prática, em pilares integrados no aprender a ser, a conhecer, a fazer, a conviver e sentir.
Angel Vianna é “honóris causa” isto quer dizer que recebeu o reconhecimento do seu notório saber na sociedade em prol da sabedoria exercida “pratica de vida”. Sua teoria é viva, é corpo, é mente, é movimento em constante atualização, pois cada um que chega, cada um que vai compõe como um mosaico a estória viva. A teoria não é cristalizada ou restrita a uma parte do corpo, mas a todo momento se escreve e se reinventa na pluralidade dos encontros. A faculdade Angel Vianna é um espaço que ensina o ser - a Ser. Também forma bailarinos e professores, sim lógico que confere esta titulação, mas o processo vivido nas aulas é um compromisso anterior a este fim, pois esta faculdade compõe seres humanos vivos.
Ser. O que é ser? Ser... e simplesmente estar presente perante a imensidão da maior lição da natureza que se constitui na impermanência. Um dia uma flor à beira do caminho, no outro você passa e cadê a flor? Foi.
Nas aulas na Angel, usamos roupas confortáveis, pés no chão, nos deitamos, esparramamos, bocejamos, espreguiçamos, consultamos a caixa de ossos, “analisamos o Oscar”, sentimos o ritmo do nosso coração, da nossa respiração. Aprendemos vivenciando o movimento do microcosmos em nós. Vivemos nossa potência de vida, morte, vida, num constante reinventar inscrito no corpo. Muito comum dentro das salas da faculdade: bocejos, risos, lágrimas, gemidos... É uma delicia! As salas se enchem de ais, de emoções, de pensamentos, sensações, traumas, imagens, lembranças, cores, catarses, processos criativos... A energia estagnada, circula nas células e é liberada por meio da dança.
Dança é a arte do SER presente. Após acordado, o corpo se expande, possibilitando a expansão da consciência corporal. Á partir da abertura de espaço por meio do movimento interno, a consciência do corpo se intensifica no cotidiano materializando espaço externo. Todo o corpo é consciência em movimento se reinventando a cada segundo. O processo de mutação acontece e é acolhido naturalmente, não porque alguém nos ditou que a mutação é o caminho, mas porque somos, vivemos, experimentamos o constante movimento da mutação nos nossos poros... Com filosofia, intelectualismo e respaldo cientifico, mas a doutrina é do corpo, na prática, no movimento, na experiência.... Pensamento é ação, é corpo... Voz é corpo... Emoção é corpo, mente é corpo... Criando, recriando, descriando a todo momento. O estudo do movimento abre o corpo fechado e conecta a natureza interior que se permite ser, por meio da autoexperimentação, ser presente aqui e agora. É um exercício constante no cotidiano da vida e para vida inteira.
Nas aulas de consciência do movimento, anatomia, fisiologia, metodologia, técnicas de dança contemporânea, balé, Laban, Pilates, orientações de monografia, prevenção a lesões, teatro, música, multimídia, estética ética poética – a conexão é multiintertransdisciplinar. Na faculdade Angel Vianna somos chamados pelo nome, confraternizamos na cantina, defumamos, decorarmos, pulsamos, vivenciamos, abraçamos de corpo inteiro e por horas... Nos permitimos vivenciar nossas singularidades e esquisitices sem censura, pois começamos a compreender que... Como diz Denise Stoklos: “Ensinar a um povo que não se pode errar é errar duplamente”.
Não somos úteis para nada, não fazemos parte do sistema utilitário, somos constante processo de criação em evolução. Cada um de nós, alunos da faculdade, temos um tempo e uma estória, nesta jornada em busca de autoconhecimento e formação nos encontramos, atravessamos o portal e desvelamos a possibilidade de viver nos autoexperimentando. Eis a incomensurável importância deste espaço existir: a Faculdade Angel Vianna acolhe os processos encarnatórios dos seres criativos buscadores e favorece meios para elaboração da vida dos mesmo perante um espectro de possibilidades que se abrem. Narrei nestas palavras um pouco do nosso ciclo: chegamos, vivenciamos e agora prosseguimos, nutridos no cerne de nossos seres com as flores respiradas nas suas aulas, dilatadas em nossa pele, vivenciadas em nossos ossos, armazenadas em nossos músculos, pulsadas em nossos órgãos e vísceras, elaboradas com a força das nossas mentes, ressignificadas em nossa memória, fortalecidas em nosso espírito e amadas em nossos corações.
Como a maior lição da natureza é a impermanência o ciclo continua, para esta jornada infinita invoco a sabedoria que nos abençoe todos os dias e noites iluminando e fortalecendo o exercício da nossa presença neste planeta, também invoco o amor que germine com suas gotas verde rosadas a nossa ética planetária. Também invoco a memória e a gratidão que sejam nossa bussola. Agradeço aos ancestrais, a linha mestra de Angel Vianna que corajosamente com a legitimidade da sabedoria praticada materializou e sustenta este espaço que tão generosamente acolhe os viajantes que trilham o caminho do autoconhecimento. Agradeço a legião de professores que ancoram as bases filosóficas ideológicas artísticas terapêuticas educacionais que sustentam as linhas condutoras do pensamento na prática. Educadores comprometidos com a arte de ensinar, de informar e formar a todos aqueles que aqui buscam não só conhecimento, mas além dele a sabedoria. Agradeço a teia da vida que alinhavou estes bons encontros com cada um dos professores, funcionários, amigos e amigas companheiros de jornada. Agradeço ávida a vida que foi concebida por meios de nossos pais. Agradeço as forças da natureza e a força da continuidade que nos permite lapidar a pedra bruta, pois como diz Manoel de Barros: “Repetir, repetir, até ficar diferente”!
Grata!
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